quinta-feira, 19 de agosto de 2010

domingo, 8 de agosto de 2010

Profeta Muricy

Sempre gostei do Muricy. Quando ele voltou ao São Paulo, falei: "quero este cara por 10 anos no meu time." Homem íntegro, profissional dedicado, transparente. Alguns anos antes, quando eu era um estagiário e cobria o São Caetano, lembro de um treino no qual eu era o único jornalista presente. Fiz algumas perguntas ele foi direto (grosso?). Pensei: "só porque eu sou estagiário". Dias depois, com vários jornalistas presentes, ele foi igualmente grosso (direto?) com gente de grandes veículos. O cara não muda de acordo com a situação, pensei. Sempre gostei dele.

Veio o tricampeonato brasileiro e, mesmo em 2007, ano da defesa intransponível, eu não tinha gosto em ver o São Paulo jogar. Era um futebol eficiente, mas feio. E eu queria a volta de um Tricolor de anos anteriores, mesmo pós-Telê, em 1998, 2000, que encantava (mas só ganhava Paulistinhas). Mesmo assim, sempre defendi o Muricy. Mesmo com as sucessivas quedas em Libertadores. (Tenho a teoria de que há técnicos motivadores, bons para mata-mata, e técnicos de longo prazo, bons para pontos corridos. Muricy de hoje e Luxemburgo de outras épocas seriam os melhores exemplos do segundo caso, Felipão do primeiro. Para a Seleção, claro, o melhor é o técnico motivador.)

Muricy costuma dizer que passa suas horas vagas vendo jogos europeus. É um baita estudioso do futebol. Está sempre a par das inovações táticas que surgem lá fora. Não se espelha no Barça, está mais para a Inter.

Hoje percebo que Muricy foi um dos primeiros por aqui, e de longe o mais competente, a antever o que vimos na última Copa do Mundo. Ele sabia, já em 2006 – ou antes, no Inter –, que estávamos no começo da segunda era do futebol total. Mas hoje, em vez de todos defenderem e atacarem e trocarem de posição a todo momento, todos marcam incessantemente o campo todo. É o futebol total da defesa. É feio. E tem ganhado títulos.

Muricy baseou seu São Paulo nos volantes, e teve uma bela safra, com Mineiro e Josué, Richarlyson, Jean e Hernanes. Abriu mão dos centroavantes – teve de aceitar Adriano (quem não aceitaria?) e viu o Imperador ter uma bela performance pessoal, mas arruinar a tática que vinha funcionando. Depois o São Paulo ainda teria Washington, outro com boa média de gols, mas ruim para o esquema da equipe. (No hiato de títulos que o São Paulo teve, imperaram os artilheiros: Dodô, França, Luís Fabiano, Grafite...)

Luxemburgo parou no tempo. Duvido que ainda estude futebol ou atualize suas táticas, outrora vencedoras. Felipão segue sendo mais motivador que qualquer outra coisa, mas está ainda mais atrasado. O Santos de Dorival Jr. é baseado em talentos, lembra mais a Argentina da Copa que o Barça. E Muricy lidera outro Brasileirão. E segue grosso (direto?). Sempre gostei dele.

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Os técnicos do São Paulo que acompanhei, em ordem de preferência PESSOAL:

1) Telê Santana (1990-1995)
2) Muricy Ramalho (1996, 1996-1997, 2006-2009)
3) Leão (2004-2005) - grande mala, mas preparou o time que viria a ser campeão mundial
4) Cuca (2004) - semblante loser, mas grande motivador, vi belas viradas
5) Levir Culpi (2000) - ótimo time vice da Copa do Brasil
6) Dario Pereyra (1997-1998) - muito gente boa
7) Roberto Rojas (2003) - idem
8) Nelsinho Baptista (1998, 2001-2002) - final do Paulistão-1998 foi linda
9) Oswaldo de Oliveira (2002-2003) - 10 vitórias seguidas no Brasileirão-2002
10) Paulo Autuori (2005) - campeão da Libertadores e Mundial? nunca me convenceu
11) Ricardo Gomes (2009-2010) - burro. só não fica mais p/ baixo pela reação em 2009
12) Vadão (2001) - nem lembro direito
13) Parreira (1996) - chegou falando em jogar no 3-7-0. foi derrubado pelos jogadores.
14) Paulo César Carpegiani (1999) - medíocre
15) Mario Sergio (1998) - ah, o horror... e ainda proibiu Ceni de bater faltas.

terça-feira, 13 de julho de 2010

A Copa no Brasil: por que ainda torço pelo Canadá 2014

Não tem como não se emocionar com esses vídeos promocionais que pipocam aqui e ali exibindo as belezas brasileiras com música de fundo; imagens aéreas de praias ensolaradas, vegetação densa, céu azul, ruas limpas, trânsito fluindo, gente sorrindo nas ruas, pagode no bar com os amigos – tudo tão colorido, edificante e cheio de vida. Ainda mais comovente se a musiquinha for Aquarela do Brasil; é aquele troço que flerta com o cafona, mas que arrepia a ponto de você querer ter saído de casa com uma camisa de mangas longas.

Ah, Brasil, que maravilha de lugar, que grande benção ter nascido aqui. Certíssima a FIFA de nos escolher como sede, não? Somos mesmo o máximo. E como é fácil tocar nossa emoção, sempre tão pronta para explodir em samba, pagode ou bumba-meu-boi.

Mais fácil ainda manipular a opinião pública usando esse tipo de sentimentalismo mentiroso que, aliás, deverá nos assolar entre hoje e 2014 (ou 2016).

Portanto, é hora de despertar desse estado de dormência em que normalmente vivemos. Hora de deixar tanto sentimento de lado, especialmente porque o resgate midiático da emoção de sediar uma Copa está sendo feito com muita hipocrisia e manipulações toscas, como de costume.

O vídeo que deveria ser mostrado era um que viesse acompanhado de um funk misógeno e sexista e que exibisse imagens de ruas cheias de lixo e buracos, gente inocente sangrando, marmanjos fazendo coisas privadas em lugares públicos, cadeias lotadas, engravatados tramando o próximo golpe no dinheiro público, transporte público com gente saindo pela janela no fim do expediente, estádios vazios e caindo aos pedaços, famílias vivendo sem saneamento básico, filas nos SUS, escolas carentes de carteiras e quadro-negro ... mas esse é o filme que Meirelles não vai fazer.

Portanto, só nos resta tentar entender quem ganha quando um país com altíssimos índices de corrupção e baixos de desenvolvimento humano como o Brasil é eleito sede de um evento dessa magnitude? O povo certamente não é, embora as justificativas sejam muitas: “ah, teremos aeroportos novos, metrô para todos, estádios de primeiro mundo”.

O diabo é que já deveríamos ter tudo isso. Afinal, não saímos por aí bradando ser um dos grandes emergentes? Queremos um lugar no conselho de segurança da ONU e outro no G8 e, recentemente, emprestamos dinheiro ao FMI. Por que então nem todos têm saneamento básico ou acesso à educação? Por que mesmo ainda é preciso dar um prato de comida em troca de voto (uma troca subliminar, claro, e que só pode ser entendida assim por quem teve a privilégio de ter acesso à educação, o que, pensando bem, explica por que nem todos têm acesso à educação. Alimento intelectual e moral para o povão acaba saindo muito caro para quem pretende se perpetuar no poder).

Usar a Copa ou a Olimpíada como desculpa para dar ao cidadão brasileiro coisas que ele já deveria ter é como ir ao banco e ser autorizado pelo gerente a sacar mais do que o limite diário permitido – fica parecendo que o gerente fez um enorme favor quando era apenas obrigação da empresa simplesmente porque o dinheiro é seu e você paga, e paga muito, para que o banco deixe ele ali guardadinho. Ou seja, é malandragem, é uso indevido da nossa ingenuidade.

A CBF não muda seu comandante há 20 anos e, nesse período, o que exatamente melhorou no futebol do país a não ser o vertiginoso aumento de receita da própria CBF? Não temos um estádio que seja minimamente adequado aos tais padrões FIFA. Nem umzinho, embora façamos questão de sair por aí dizendo que somos o país do futebol. Mas se os caras estão no poder há 20 anos e não conseguiram nos dar um estádio decente, nem compra de ingressos sem fila, nem lugares marcados, nem o fim da violência e do vandalismo, nem uma série de outras coisas tão básicas para a dignidade do torcedor, por que mesmo eles continuam no comando, e de quebra são agora os líderes do Comitê da Copa?

O sonoro fracasso de duas décadas de comando não é prova suficientemente forte de que esse pessoal é, na melhor das hipóteses, incompetente para administrar o futebol brasileiro? “Ah, olha, 20 anos no poder e as coisas continuam tão podres como em 1970. Então, pela façanha, vocês ficam com o direito de sediar a Copa de 2014, e fazemos questão de ter na liderança do Comitê da Copa o mesmo cara que com 20 anos de poder nada mudou no futebol brasileiro. De preferência ao lado de algum membro de sua família” – Tutupish.

Não há como ganharmos com isso. Pior: não apenas deixaremos de ganhar, como pagaremos pela farra. Lula exigiu publicamente transparência de Ricardo Teixeira na organização da Copa, mas sabemos que o conceito de transparência de Lula é tão claro quanto uma noite nublada em praia deserta, então a exigência só não fez Ricardo Teixeira se contorcer no chão em risadas histéricas porque, todos sabem, Teixeira é a representação tridimensional da carranca e não ri faz 128 anos.

Mas é bom que lembrar, a partir de hoje e até 2014, a cada obra aprovada sem licitação, a cada tijolo superfaturado, a cada autorização de dinheiro do BNDES para construção de estádios, será o nosso dinheiro que estará sendo usado indevidamente, e usado para que meia dúzia de homens fiquem bastante mais ricos e milhões de brasileiros sensivelmente mais pobres.

Por isso ainda sonho com o Canadá, que poderia receber a Copa amanhã sem prejuízo financeiro para seu cidadão.

Mas vai, Brasil. Vai que o Hexa está a caminho. E com ele todo o superfaturamento será esquecido.

sábado, 10 de julho de 2010

Com atraso, sobre a crítica de Maradona ao golaço de Luís Fabiano

Maradona fez o segundo gol mais bonito das Copas (depois, claro, do gol de Carlos Alberto) em 1986, 2 anos depois de chegar ao Napoli. E já disse que fez uso de cocaína por anos no clube italiano, sem nunca ser pego no antidoping (usava a urina de outro, tinha cobertura da Máfia). Ou seja, tudo leva a crer que o argentino cheirava durante a Copa de 1986.

Os gols de Maradona contra a Inglaterra – e no resto da Copa – foram sob efeito de cocaína.

PORRA, MARADONA, QUEM É VOCÊ PARA FALAR DO GOL DO LUÍS FABIANO?

(e desculpem o atraso)
Disputa do 3º lugar

A briga pelo bronze tem boa média de gols histórica: 3,93 por jogo. Mas hoje, pelo menos para os brasileiros, só se resumirá à torcida contra (ou a favor de) Miroslav Klose, a quem falta 1 gol para alcançar Ronaldo como o maior artilheiro das Copas do Mundo.

34 Alemanha Oc. 3x2 Áustria
38 Brasil 4x2 Suécia - Brasil perdia por 2x0
54 Áustria 3x1 Uruguai
58 França 6x3 Alemanha Oc. - 4 do Fontaine
62 Chile 1x0 Iugoslávia
66 Portugal 2x1 URSS
70 Alemanha Oc. 1x0 Uruguai
74 Polônia 1x0 Brasil - porrada do Leão em Marinho Chagas
78 Brasil 2x1 Itália - golaço do Nelinho
82 Polônia 3x2 França
86 França 4x2 Bélgica
90 Itália 2x1 Inglaterra
94 Suécia 4x0 Bulgária - Stoichkov precisava de 1 gol p/ ser artilheiro da Copa
98 Croácia 2x1 Holanda
02 Turquia 3x2 Coreia do S. - gol mais rápido das copas
06 Alemanha 3x1 Portugal

Obs.: 30 e 50 não teve

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Os gols da final

A Holanda marcou 3 gols no primeiro tempo e 9 no segundo nesta Copa do Mundo. A Espanha é mais "equilibrada". Confira:

Holanda
0-15 min: 0
15-30 min: 2 (Robben, Van Bronckhorst)
30-45 min: 1 (Van Persie)
45-60 min: 3 (Sneijder, contra (2))
60-75 min: 3 (Sneijder (2), Robben)
75-90 min: 3 (Kuyt, Huntelaar, Sneijder)

Espanha
0-15 min: 0
15-30 min: 2 (Villa (2))
30-45 min: 1 (Iniesta)
45-60 min: 1 (Villa)
60-75 min: 2 (Villa, Puyol)
75-90 min: 1 (Villa)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Uruguai x Holanda

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Ricardo Teixeira no Sportv

Você deveria nos seguir no Twitter, aqui (Milly) e aqui (Mau)

sábado, 3 de julho de 2010

Como os 23 de Dunga saem da Copa de 2010?

Goleiros

Júlio César
Não fez uma Copa espetacular como Marcos-2002, nem mesmo chegou ao nível de Dida-2006, mas somente porque não foi tão exigido quanto os anteriores. É um dos melhores goleiros do mundo e, mesmo tendo falhado no pior momento possível, deve continuar até surgir um substituto à altura.
Moral: segue na mesma
Idade em 2014: 34 anos

Gomes e Doni
Não jogaram a Copa e nem devem voltar à Seleção Brasileira.
Morais: seguem na mesma
Idades em 2014: 33 e 34 anos, respectivamente

Laterais-direitos

Maicon
Fez uma grande Copa do Mundo e figura entre os melhores de sua posição. Defende bem, ataca bem e sabe até cruzar - uma evolução para quem aguentou Cafu por tanto tempo.
Moral: sai melhor do que chegou
Idade em 2014: 32 anos

Daniel Alves
Antes da Copa, costumava substituir Maicon durante os jogos. Com a contusão de Elano, jogou de meia, e não decepcionou. Não está à altura de Maicon, mas sua versatilidade o torna um nome essencial para se ter no grupo.
Moral: sai melhor do que chegou
Idade em 2014: 31 anos

Laterais-esquerdos

Michel Bastos
Uma jogadinha ofensiva contra o Chile, e só. Acostumado a jogar na ponta-direita, foi improvisado na lateral esquerda e não foi bem na defesa nem no apoio. Não deve voltar à Seleção tão cedo.
Moral: já não tinha nenhum, segue igual
Idade em 2014: 30 anos

Gilberto
Outro improvisado na lateral, já que vinha atuando de meia no Cruzeiro. Jogou 33 minutos na Copa, seria injusto avaliá-lo.
Moral: talvez tenha piorado um pouco, fruto de sua curta e inútil participação contra a Holanda
Idade em 2014: 38 anos

Obs.: Em uma posição tão carente, a não-convocação de Marcelo parece ter sido um dos maiores equívocos de Dunga

Zagueiros

Lúcio
O grande nome do Brasil na Copa consolidou seu status de maior zagueiro da história da Seleção. Impecável na defesa, suas subidas ao ataque pareciam querer mostrar a Kaká como se fazia. Talvez não tenha mais o vigor ideal na próxima Copa, mas, com a nova geração de zagueiros, esta não deve ser uma posição de carência.
Moral: ficou ainda maior
Idade em 2014: 36 anos

Juan
Outro que fez uma grande Copa. Sua partida contra o Chile foi a melhor performance de um jogador do Brasil na competição. Serve a ele também a observação feita a Lúcio quanto à idade.
Moral: aumentou consideravelmente
Idade em 2014: 35 anos

Thiago Silva e Luisão
Não jogaram a Copa. Thiago Silva é a maior aposta da zaga brasileira para 2014, mas há nomes melhores que Luisão.
Morais: seguem na mesma
Idades em 2014: 29 e 33 anos, respectivamente

Volantes

Felipe Melo
Sua instabilidade emocional era previsível, e acabou por rotulá-lo como o grande vilão do fracasso brasileiro. Tecnicamente, basta dizer que sua ausência nas oitavas-de-final (e a presença de Ramires) fez até Gilberto Silva jogar melhor. Felipe Melo é outro que não deve mais vestir a camisa da Seleção.
Moral: se tinha adquirido algum, perdeu totalmente. Virou símbolo da Era Dunga - parte II
Idade em 2014: 31 anos

Gilberto Silva
Uma múmia, há anos fazendo hora-extra na Seleção. A lealdade de Dunga para com ele era inexplicável. Nunca foi imprescindível na defesa nem no apoio. Também não deve voltar a vestir a verde-e-amarela.
Moral: piorou
Idade em 2014: 37 anos

Josué
Jogou o segundo tempo contra Portugal, mas pouco fez. Não passa por boa fase desde que saiu do São Paulo, e sua presença na Seleção de Dunga sempre foi outro mistério.
Moral: segue nulo
Idade em 2014: 34/35 anos

Ramires
Boa aposta de Dunga. Quando entrou, melhorou o toque de bola e tornou o meio-de-campo brasileiro mais ofensivo. Sua atuação desde o início contra o Chile melhorou até o futebol de Gilberto Silva. Pena que, suspenso, não enfrentou a Holanda. Deve seguir na Seleção.
Moral: elevado. Foi bem.
Idade em 2014: 27 anos

Obs.: A se pensar a diferença que a presença de Elias ou Hernanes poderia ter feito...

Meias

Elano
Questionado antes da Copa, fez 2 bons jogos (e gols) e se contundiu. Sua ausência, então, passou a ser a maior preocupação brasileira. E mudou a estratégia de Dunga, que por 4 anos organizou seu meio-de-campo em torno dele. Suas boas atuações podem tê-lo incluído nos planos do próximo treinador.
Moral: aumentou muito
Idade em 2014: 33 anos

Kaká
Das 3 maiores apostas a craque da Copa, Kaká foi melhor que Cristiano Ronaldo e pior que Messi - que não foi tão bem assim, que fique claro. Apesar das 3 assistências, Kaká só jogou bem no primeiro tempo contra a Holanda. Muito se disse que ele jogou no sacrifício, mas a falta de transparência imposta por Dunga não nos deixa saber a gravidade de suas contusões. A certeza é que suas arrancadas características quase não foram vistas na Copa, e a ausência de um substituto - ponta-de-lança, como ele, ou mesmo um armador (GANSO!!) , tornou o Brasil totalmente dependente de sua condição de jogo. Certamente seguirá na Seleção.
Moral: consideravelmente reduzido. Já não é mais "o cara" que pode decidir qualquer partida
Idade em 2014: 32 anos

Júlio Baptista
Com a ausência de Kaká, começou jogando contra Portugal, mas nunca foi uma boa alternativa contra esquemas retrancados. Poderia ter sido uma solução no final da derrota para a Holanda, mas a má atuação contra os portugueses tirou a confiança que Dunga depositava nele. Se o caminho da Seleção sofrer uma mudança para um futebol criativo, deve ser descartado.
Moral: reduzido, pelo mau jogo contra Portugal
Idade em 2014: 32 anos

Kléberson
Sem comentários.
Moral: ainda menor, mesmo sem culpa. Foi O cara que barrou Ganso.
Idade em 2014: 35 anos

Atacantes

Luís Fabiano
Fez belos gols, mas teve dificuldade com marcações individuais (Portugal e Holanda). Não perdeu a cabeça, o que já é um mérito. E não é um Romário, mas é um dos melhores centroavantes brasileiros hoje. Deve seguir na Seleção.
Moral: segue na mesma
Idade em 2014: 33 anos

Robinho
Ouviu de muita gente que esta seria a Copa dele. Acabou acreditando. Em muitos momentos, pecou por querer decidir sozinho. Sem os meninos da Vila para fazer o trabalho "sujo", não rendeu o que vinha rendendo no Santos. Segue na Seleção, mas terá de brigar pela titularidade, que era certa com Dunga.
Moral: bem reduzido. Ficará marcado pelas constantes olhadas para o telão.
Idade em 2014: 30 anos

Nilmar
Até que não foi tão mal nos 90 minutos contra Portugal, mas passou despercebido nos poucos minutos contra Coreia do Norte, Chile e Holanda. Pareceu evitar divididas, o que pode ser justificado pelo imenso histórico de contusões. Difícil prever seu futuro na Seleção.
Moral: segue na mesma
Idade em 2014: 29/30 anos

Grafite
Era a sua grande chance. Vinha em melhor fase que Adriano, havia conquistado a vaga na Copa - e vetado Neymar - após apenas 23 minutos com Dunga e - vai saber? - poderia ter correspondido. Acabou jogando 5 minutos contra Portugal. E foi o fim de sua vida na Seleção.
Moral: segue nulo
Idade em 2014: 35 anos

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Copo meio cheio

O que tirar de positivo da eliminação do Brasil?

- Dunga nunca mais
- Assim como Michel Bastos, Gilberto Silva e Felipe Melo
- Quem sabe não ocorre o efeito inverso de 1986? Ao invés da Era Dunga, pode surgir a Era Ganso!
- A habilidade volta a valer mais que o comprometimento
- Nem um nem outro: não adiantou o Big Brother de 2006 nem a clausura de 2010. Sejamos normais!
- Lúcio e Juan, a melhor zaga da história da Seleção
- A Holanda, segundo time de todos que gostam de futebol, pode finalmente ser campeã

Vão falando nos comentários, que eu vou inserindo.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Depois de Dunga, quem?

De acordo com boa parte dos jornalistas que foram à África do Sul, Dunga não segue no comando da Seleção após a Copa, vencendo ou não. Muito por conta de seus conflitos com os interesses comerciais da CBF.

Vamos consultar alguns jornalistas esportivos para saber quem eles acham que vai assumir a Seleção depois da Copa e quem eles gostariam que assumisse.

Começamos com quem faz o blog:

Maurício Svartman
Quem acha que vai assumir: Paulo Autuori
Quem gostaria que assumisse: Mano Menezes

Milly Lacombe
Quem acha que vai assumir: Mano Menezes
Quem gostaria que assumisse: Algum técnico holandês

Leonardo Bertozzi (Trivela, ESPN Brasil)
Quem acha que vai assumir: Leonardo
Quem gostaria que assumisse: Mano Menezes

Alexandre Lozetti (Lance!)
Quem acha que vai assumir: Se a Seleção for campeã, Leonardo (mesmo perfil de Dunga). Se perder, Mano Menezes.
Quem gostaria que assumisse: Muricy Ramalho (mantém o estilo Dunga e tem tudo a ver com Teixeira e Américo)

Zé Gonzalez (Globoesporte.com)
Quem acha que vai assumir: Mano Menezes
Quem gostaria que assumisse: Mano Menezes

Dassler Marques (Terra)
Quem acha que vai assumir: Jorginho
Quem gostaria que assumisse: Mano Menezes

Vanessa Ruiz (Revista da ESPN)
Quem acha que vai assumir: Leonardo
Quem gostaria que assumisse: Felipão

Juliano Costa (Yahoo! Esportes)
Quem acha que vai assumir: Abel Braga
Quem gostaria que assumisse: Felipão (mas acabou de voltar pro Palmeiras)

Quem acha que vai assumir: Leonardo
Quem gostaria que assumisse: Marcelo Bielsa

Rodrigo Bueno (ESPN Brasil/Folha)
Quem acha que vai assumir: Leonardo
Quem gostaria que assumisse: Cruyff

Gian Oddi (Ig, ESPN Brasil, Placar)
Quem acha que vai assumir: Leonardo
Quem gostaria que assumisse: Mano Menezes

Mariana Bastos (Folha)
Quem acha que vai assumir: Mano Menezes
Quem gostaria que assumisse: Mano Menezes

Gustavo Zupak (Rádios Globo e CBN)
Quem acha que vai assumir: dupla Jorginho-Leonardo
Quem gostaria que assumisse: Mano Menezes

Pedro Só (Globoesporte.com)
Quem acha que vai assumir: Muricy ou Felipão
Quem gostaria que assumisse: Joachim Löw

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Para a Copa de 2010 não ter a menor média de gols da história, precisam ser marcados mais 19 gols nos 8 jogos que faltam.

A Copa de 1990 teve 115 gols em 52 jogos (média de 2,211). A atual, 123 gols em 56 jogos (2,1964). Se chegar a 142 gols em 64 jogos, a média vai para 2,218.

Não é nada, não é nada... Não é nada.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Ilhas Maurício, 13 de julho de 2034

Terminou ontem a mais disputada Copa do Mundo da história. A vitória da Suíça por 2 x 0 diante do forte time japonês foi incontestável e repleta de lances emocionantes. Por isso muita gente tem preferido dizer que a suíça aplicou uma goleada no Japão - e a afirmação pode até ser discutível já que apenas um jogo dessa Copa teve placar diferente de 0x0, 1x1 ou 1x0 - mas o fato é que a partida foi absolutamente equilibrada, com os dois times buscando jogar bola (foram adoráveis 14 minutos de bola rolando) e tendo uma chance de gol cada.

O jogo também pode ser considerado histórico pelo baixo números de faltas – 196 apenas (112 cometidas por suíços), e porque, pela primeira vez em três meses, somente um jogador teve que ser retirado de campo pela ambulância (Mitsubishi passa bem depois de ter recebido doses de células-tronco que possibilitarão a regeneração da parte lesada de sua coluna vertebral.) Para lembrar, a média de jogadores severamente lesionados ou mortos em Copas é de 2,5 por partida desde 2018.

Os melhores momentos disponibilizados pela FIFA para hologramas cadastrados em seu site comprovam que os dois times jogaram, como se deve jogar, para não perder, e o fizeram de forma heróica. Dos 97 carrinhos aplicados pelo time japonês, pelo menos quatro deles poderiam ter sido eleitos os mais belos da Copa (A FIFA divulgará amanhã os vencedores dos prêmios de melhor carrinho, lateral melhor batido, escanteio melhor cobrado, melhor simulação de falta e falta menos violenta). Também amanhã a FIFA tornará disponível os replays de alguns lances duvidosos pelo custo de R$ 130 o décimo de segundo do download (mas apenas para torcedores cadastrados e que não tenham antecedentes de críticas à entidade).

O fato é que mais uma Copa chega ao fim, e essa, em especial, vai deixar saudade. Seja pelo lateral incrivelmente bem batido por Apple, atacante americano, pelo perfeito sistema defensivo do time Esloveno, que acabou eliminado sem sofrer nenhum gol em tempo normal (aliás, o time completa no próximo mês oito anos sem sofrer gols), seja pelo novo recorde estabelecido por argentinos, que conseguiram aplicar um drible completo, sem ser seguido de falta, no cada vez mais sólido time coreano (o drible aplicado por Alfajores sobre Fajitas ficará em nossa memória por muitos anos). Mais do que nunca o futebol levou a campo sua verdadeira essência: a defesa.

A grande decepção foi o time holandês, que insiste em jogar tocando a bola. Além de não terem sido capazes de completar nenhuma dessas tentativas de tabela ou triangulação (desde 2021 não se tem notícia de tabela ou triangulação que tenha deixado de ser interrompida por falta e ainda assim esse time insiste), quatro de seus jogadores continuam hospitalizados. Dois deles, ainda em coma, vitimas do inapelável soco na cabeça dado por atacantes da China e da Noruega que não aceitaram, como nenhum de nós aceitaria, a tentativa de um chapéu e de uma caneta nos jogos da fase classificatória. Não custa lembrar que os outros dois holandeses que perderam a perna esquerda por causa de carrinhos no meio de campo, bem aplicados, aliás, passam bem e devem voltar a jogar em seis meses, já que os implantes foram realizados com sucesso.

O que não pode deixar de ser dito é que está mais do que na hora de determinados jogadores, especialmente holandeses e argentinos, pararem de tentar aplicar o que chamamos de dribles desmoralizantes – caneta, chapéu, drible da vaca entre eles. Desde 2020, quando a FIFA publicou a lista de 10 dribles rigorosamente proibidos por afetar a masculinidade do atleta, essas tentativas vêm sendo rigorosamente punidas pelo trio de arbitragem, sempre soberano em suas decisões que, por lei-FIFA, não fazem uso de tecnologia. Tango, o portenho que tentou dar uma caneta no russo Smirnoff, ainda conseguiu ver o juiz sacando o vermelho antes de levar o esperado soco de Smirnoff e cair estatelado. Na sequência, Smirnoff, enquanto esmurrava o peito estufado, foi aplaudido de pé pelas 12 mil pessoas que lotavam o estádio, fazendo desse o momento mais emocionante e mágico da partida, que foi reiniciada logo depois que o sangue foi retirado da grama sintética.

Agora é esperar pela Copa de Fernando de Noronha, em 2038, ano em que o Brasil voltará a ter a chance de sediar a competição depois do colossal fiasco de 2014, quando perdeu para o Canadá, a seis meses da Copa, o direito de organizar a competição. O entrave marcou o rompimento entre o presidente da Conferedação Brasileira de Futebol – Ricardo Teixeira, que ficou 43 anos no poder – e a FIFA. Fato que, para muitos, determinou a queda da seleção brasileira no ranking; uma seleção que um dia já foi a primeira e hoje não está nem entre as 30.

Portugal x Espanha

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Chile x Espanha

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Camarões x Holanda e Japão x Dinamarca

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Alemanha x Gana

terça-feira, 22 de junho de 2010

Argentina x Grécia

Alma de ditador

Dunga não atura quem pensa diferente dele. Quando topa com um desses por aí, sente vontade de xingar, ofender. Como o cara ousa?

Esse é o princípio ativo da ditadura - a punição a quem pensa diferente. Democracia é o oposto disso; faz valer o que pensa a maioria, mas recebe e discute as mais divergentes opiniões.

Simplesmente porque você só cresce, amadurece e se aperfeiçoa quando é exposto a novas ideias, novos pensamentos.

Ler e ouvir aqueles que pensam diferente, mesmo que seja para debater, é se manter são.

Alguns de meus melhores amigos são os que discordam de mim, muitas vezes de forma contundente. E em assuntos tão fundamentais, como religião, política e futebol. Discordar não é ofensa, ou não deveria ser.

Mas Dunga não é esse cara, e a CBF não é essa instituição. Para eles, o que vale é a patrulha ideológica; quem não pensa como a gente, não é patriota e precisa ser punido. A seleção usada como instrumento de controle das massas, de nacionalismo, a exemplo do que fazem e já fizeram as grandes ditaduras da história.

Ser patriota é, entre outras coisas, não superfaturar – um exemplo apenas. Alguns dos organizadores do Pan'07, ainda às voltas com o TCU e que podem ser vistos torcendo ferrenhamente pela seleção, camisa no peito, bandeira na mão e fazendo uso de gritos primatas a cada gol, são mais patriotas do que o sujeito que paga os impostos em dia e quer que o time de Dunga se exploda? Creo que no.

Mas se esse estilo tirano de Dunga nos frequenta faz quatro anos, por que só agora está sendo considerado insuportável? Porque só agora ele levou a cabo de forma pública e constrangedora a birra que tem com a Globo.

Faz bastante tempo que ele vem espinafrando publicamente repórters de outros veículos, mas o barulho nunca foi tão grande enquanto ele mantinha o braço de ferro com a Globo nos bastidores. Só que quem pisa publicamente no pé do gigante das comunicações vai ter que enfrentar a máquina. Mas Dunga é cabra macho. E, na cartilha de ética dele, ser cabra macho é olhar no olho de quem discorda de você e xingar muito.

De preferência, tendo um microfone às mãos enquanto o merecedor de seus impropérios não tem um.

Então, é de se esperar que ele continue a enfrentar a Globo nesse estilo sofisticado de sempre. E a gente vai ficando à margem da discussão fundamental, da pergunta crítica, do bate-papo que pode ajudar a entender e explicar.

Fico imaginando a coletiva de Dunga se o Brasil for eliminado e tenho a certeza que não chegará aos pés da que ele dará se for campeão. Essa sim, a pior de todas as entrevistas.

Quem não tinha motivo para torcer contra a seleção, esse parece ser um dos bons.